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Meu "fim do mundo" pessoal

Por Alana Trauczynski, autora do livro Recalculando a Rota, da Editora RDG, em breve nas livrarias.

Talvez o mundo como nós o percebemos acabará mesmo um dia, mas na minha opinião é mais uma questão de despertar da consciência do que uma catástrofe em si. Transformações acontecem o tempo todo e pode até ser que nós, seres humanos, não sobrevivamos, mas o planeta certamente sim, como aconteceu nos últimos bilhões de anos. Bem, de qualquer forma, eu resolvi viver como se fosse realmente acontecer. Não porque eu acredito nesta profecia nonsense, mas porque eu queria parar de procrastinar os meus sonhos. Estou extremamente surpresa com os resultados: é incrível o quanto conseguimos completar quando nossa mente está pré-programada para o sucesso; não de maneira ambiciosa, mas de forma de manifestar a grandeza do que já está dentro de nós. É apenas uma questão de trazer à tona e tornar-se uma versão melhorada de si mesmo, em todos os aspectos. Isso se dá através da auto-observação sincera e da perseverança. Se você quer as coisas, torne-as possíveis. Insista. Em algumas ocasiões não está sob seu controle? É verdade, mas você deve fazer sua parte. Pode ser que tenhamos apenas este momento. Tudo o que precisamos é coragem e determinação. Reflita por um momento: se o SEU mundo estivesse chegando ao fim, como VIVERIA o momento presente? 

Aí vai uma lista de tudo o que eu consegui manifestar pensando desta forma... 

1. Publicar um livro

Escrevi um livro há mais de três anos. Os dois primeiros, eu passei revisando, melhorando, traduzindo e encontrando desculpas para não publicá-lo: ah, é tão difícil, as editoras não me respondem, elas nem devem ler a maioria do que recebem, blá, blá, blá. Há exatamente um ano atrás, eu estava no Rio pessoalmente lutando pela publicação, dando minha cara a tapa, falando diretamente com os responsáveis, inventando várias histórias para conseguir reuniões com os tomadores de decisão. Eu realmente poderia ter desistido. E verdadeiramente publicar um livro não é um processo fácil. Mas eu sabia que os meus argumentos eram bons, havia público para tal e o assunto era atual. Com empurrõezinhos de amigos e muita cara de pau, finalmente consegui o que queria: o livro está sendo lançado em abril pela editora RDG.


2. Correr uma meia-maratona

Alana Trauczynski na meia-maratona de Florianópolis 2012




Há pouco tempo atrás, eu não conseguia correr nem dois quilômetros sem perder o fôlego. Decidi que era hora de fazer da corrida um prazer, não um fardo a ser carregado. Isso foi feito de forma saudável, ampliando meus limites lentamente, 500 metros a cada semana. Não parece tão difícil, certo? E não é. A única parte realmente difícil é não desistir. Não permitir que nossa mente use suas artimanhas e encontre ótimas desculpas para não continuar. Não, elas não são ótimas. Cruzar a linha de chegada é que é maravilhoso, acredite em mim. Foram 21 quilômetros de pura alegria.


3. Voar

Alana Trauczynski voando de asa-delta no Rio de Janeiro


Eu era uma daquelas pessoas que olhava parapentes ou asas-deltas voando e dizia "ai, que delícia, queria muito fazer isso um dia". Bem, estava na hora deste "um dia" virar “hoje”. Na próxima vez que esse pensamento me veio à mente (meu último aniversário no Rio), simplesmente fui lá, paguei e pulei. Pronto! Sim, eu estava com medo. Sim, era caro. Sim, eu sou louca. Mas e aí? Não era uma vontade minha? Só dependia de mim. Fui lá e fiz. E faria de novo num piscar de olhos.


4. Viajar para a Índia

Alana Trauczynski na Índia




Todo mundo tem um sonho de viagem. A Índia era um dos meus (eu tenho bem mais de um!). Não tinha dinheiro, mas surgiu uma oportunidade única de ir com um grupo pagando um pouco mais barato. Também tinha uns créditos com a Air France, então só precisava comprar o voo Paris-Delhi. Decidi que ia dar um jeito e pronto. Fiz a inscrição e dentro de um mês teria que começar a pagar. Parei por um momento e pensei: se for para ser, que flua o dinheiro. Milagrosamente, a quantia exata que eu precisava para a viagem foi o que entrou na minha conta bancária naquele mês. Assim, do nada. Sem esforço. O trabalho veio até mim. Qual lição foi aprendida? Bem, às vezes você tem que arriscar. Diga sim à vida e o resto segue. O medo é o maior destruidor de sonhos. Temos que começar a dar significado à vida ao invés de procurá-lo.


5. Trabalhar em casa e ganhar mais dinheiro

Vista do "escritório" de Alana Trauczynski


Eu não odiava o meu trabalho. Era editora de uma revista adolescente e trabalhava em um ambiente até bastante divertido. Meu grande problema era seguir o sonho de outra pessoa e não o meu. Também tinha grandes problemas com horários de trabalho e me faltava tempo para praticamente tudo o que eu gostava de fazer. Sabe quando você sente que não está indo a lugar algum? Ao mesmo tempo, eu estava em minha zona de conforto, onde tudo é seguro e o pão está garantido. Um lugar perigoso para aqueles que querem mais do que pão! Bem, a minha infelicidade refletiu no meu trabalho e eu fui repentinamente demitida. Ao invés de chorar sobre o leite derramado, decidi que era hora de ser minha própria chefe. Hoje acordo todos os dias no horário que quero, dou minha corrida na praia, faço minha própria programação, viajo quando quero. Além disso, acabei ganhando muito mais dinheiro e diversificando minhas atividades: agora sou escritora, roteirista, tradutora e blogueira. Sim, foi difícil nos primeiros 3 meses. Sim, eu estava preocupada. Sim, eu tive que rebolar e correr atrás. Mas a vida foi me mostrando que era um sonho possível, eu fui tendo fé, e a fé parece realmente fazer a diferença, apesar deste papo ser piegas. Tudo o que eu tenho acreditado com propriedade vem se tornando realidade quando em conjunto com trabalho árduo. É preciso abrir as portas e tornar nossos sonhos possíveis.

Ah, e este não é um post para me vangloriar. Foi mérito meu, mas o que quero é abrir seus olhos para algo maior do que "eu". É preciso abrir espaço para que este “algo” se manifeste. "Precisamos ser menos estimulados por fatores externos e mais catalisados por escolhas internas e auto-capacitação", diz Kingsley Dennis, um colega escritor. Eu não posso convencê-lo, mas você deve se lembrar de quem é: um ser único. Se o mundo não tem o seu melhor, então você não está fazendo seu trabalho ... e todos nós estamos perdendo com isso. Eu estou aqui para lhe dizer que quero o seu melhor. Quero aquilo que só você pode trazer para este mundo, de preferência antes que ele termine! Give it to us, baby! Quanto a mim... parece que a vida acaba de começar. Se o mundo acabar vai ser uma baita sacanagem!!!

Leia outros textos de Alana Trauczynski em Ousar Dizer.

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