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Salve Salvador

Salvador tem 91 ameaças de desabamento em 4 dias

E esta estimativa é bem conservadora, garanto. Estivemos por lá na última sexta-feira. Trocamos a mordomia, o mar, as piscinas e os chopes “grátis” de um resort na Praia do Forte para fazer um city tour pela capital baiana. O Bruno Mazzeo provavelmente teria se inspirado para fazer um episódio especial do “Cilada” se estivesse nos acompanhando.  Mas isso não vem ao caso. O fato é que Salvador, além de atualmente ser uma cidade suja, feia e desorganizada, está desabando, literalmente.

A impressão que se tem é de que a esmagadora maioria dos imóveis nunca sofreu reforma alguma ou mesmo as manutenções mais triviais. Aliás, é praticamente impossível encontrar um prédio, comercial ou de apartamentos, sem trincas e manchas de infiltração.

Passar ao lado da Fonte Nova, que fica numa região central da cidade, por onde milhares de turistas passam diariamente, é algo de surreal. Daria um bom cenário para uma versão tupiniquim do “Planeta dos Macacos”. Também me lembrou o ótimo “Blecaute” do Marcelo Rubens Paiva. Pra quem não se lembra, o estádio foi interditado no final de 2007 após um pedaço da arquibancada desabar matando 7 torcedores que despencaram de 30 metros de altura. Hoje, quase 3 anos depois, nada foi feito. Devem estar esperando o resto da construção cair pela ação do vento e da maresia. Vai demorar um pouquinho, mas vão conseguir.

Pior ainda, por incrível que pareça, são as condições de edifícios que circundam o Mercado Modelo, bem em frente ao Elevador Lacerda, o maior cartão postal da cidade, destino certo de qualquer um que visite a cidade. Justamente o local que deveria ser o mais limpo e conservado de Salvador, onde o turismo representa importante fonte de receita, está deste jeito:
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Para vocês terem uma idéia, o guia do nosso “cilada tour”, que é baiano, confessou detestar o falecido ACM mas ser obrigado a reconhecer que quando ele era praticamente o dono da Bahia (existem nada menos do que 7 avenidas em Salvador chamadas Antônio Carlos Magalhães) as coisas eram bem melhores. E pelo visto o sentimento inusitado é comum a muitos soteropolitanos.

Fico só imaginando que mágica será feita para que a capital baiana consiga sediar uma Copa do Mundo em 2014 se num dos maiores pontos turísticos da cidade as calçadas estão imundas e esburacadas, os prédios caindo aos pedaços e é preciso “garimpar” um bocado para comprar um simples copo de água mineral ou encontrar um banheiro com as mínimas condições de uso.

Torço do fundo do coração para que as coisas melhorem por lá, mas o único lugar de Salvador pelo qual pretendo passar durante um bom tempo é o aeroporto (que, aliás, se chama Luís Eduardo Magalhães).

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