29 de jun de 2010

Igreja boa é a dos Titãs

Só vou à igreja em batizados, casamentos e missas de sétimo dia e toda vez, sem exceção, saio querendo não voltar nunca mais. Infelizmente as convenções sociais não me permitem fazê-lo. Da última vez, na semana passada, fomos à missa de sétimo dia do filho de uma amiga da minha esposa. Tragédia total: o rapaz tinha apenas 24 anos e morreu num acidente de moto. Pais, avós, amigos e demais parente presentes. Todos comovidos, como não poderia deixar de ser.

Chegamos uns 15 minutos antes da missa começar e logo vi que precisaria ter nervos de aço para suportar o que viria pela frente. Uma “jovem sonhora” duns 40 anos, acompanhada por um tiozinho num violão, ensaiava cantos supostamente cristãos dentro da igreja. Pelo entusiasmo da mulher, aposto que foi representante de classe desde a 1ª série, fez dezenas de “books” para emplacar uma propaganda da Ortopé ou da Groselha Vitaminada Milani e participou de todos os shows de calouros da Record quando era criança. Uma espécie de Pequena Miss Sunshine. Infelizmente ninguém descobriru o seu talento descomunal. Mas tudo bem, ela parecia estar realizadíssima animando missas de sétimo dia.

Nos bancos da igreja meia dúzia de senhoras da “comunidade” sabiam de cor as músicas e cantavam como se fosse o hino nacional. Quem foi efetivamente para assistir à missa, maioria absoluta, aguardava constrangido. E tome musiquinha!

Quando o padre chegou respirei aliviado imaginando que aquele martírio musical chegaria ao fim. Que nada. Foi aí que a Miss Sunshine, eivada de um “espírito poliânico” inabalável, soltou a voz ainda com mais força e passou a pedir a participação da “platéia” entre uma estrofe e outra. O padre, na verdade, era um mero coadjuvante daquele karaokê de mau gosto. Nas poucas vezes em que falou não se dirigiu à família do rapaz falecido, limitando-se a ler seu nome num pedaço de papel. E tome musiquinha!

No sermão, se é que se pode chamar aquilo de sermão, nenhuma mensagem de conforto. Pelo contrário. O padre, que havia fixado seus poucos fios de cabelo sobre a careca com gel para tentar escondê-la, deu a entender que se não houvesse pecado, não haveria a morte. Ou seja, o rapaz teria morrido porque pecou. Culpa e punição, as pedras de toque da igreja católica há mais de 2 mil anos. E tome musiquinha!

Depois, como era dia 24 de junho, começou a exaltar São João Batista, lembrando que era um santo vip, único cujo nascimento é festejado pela igreja católica por ter profetizado a chegada de Jesus. Nada a ver com o solstício de verão europeu e a necessidade de abafar os cultos pagãos, é claro. E tome musiquinha!

Saldo final: uma coroa com necessidade incontrolável de aparecer, música da pior qualidade, frieza e desrespeito com a família do morto. Considerando-se que era para ser uma missa de sétimo dia, epic fail.

Por essas e outras que para mim, Igreja boa de verdade é só a do Titãs mesmo.

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