20 de mai de 2010

KISS on a Stick

Por ser alucinado pelo Led Zeppelin e devido ao fato da banda, até pouco tempo atrás, não ter lançado nenhum show ao vivo além do The Song Remains the Same, acabei fazendo uma considerável coleção de bootlegs ao longo dos anos. Para quem não sabe, bootleg é o nome que se dá ao LP ou CD de produção "independente" contendo concertos ao vivo ou takes de estúdio nunca lançados. No caso do Led, alguns shows foram absolutamente memoráveis, com improvisações, solos e medleys de tirar o fôlego, e que só chegaram aos ouvidos da esmagadora maioria dos fãs graças a gravações feitas na surdina por gente da platéia ou que teve acesso à mesa de som. O próprio Jimmy Page já declarou ser grato aos fãs que lhe enviam gravações de shows "pré-históricos", pois nem ele mesmo tem muitos registros oficiais das performances apoteóticas do grupo nos anos 60 e 70.

Mas o outro lado desta história não é tão bacana, pois quem grava um show dessa magnitude sem a permissão dos artistas para revender a gravação em grande escala, obviamente está ganhando uma grana preta no mole. Trocando em miúdos, é um pilantra. E com o avanço da tecnologia, hoje em dia tem mais gente nos shows preocupada em gravar com o celular a performance da banda do que em assisti-la. É verdade que a maioria só quer guardar uma recordação (meu caso), mas sempre há os mal intencionados.

Pensando nisso, o KISS decidiu colocar a tecnologia a seu favor e lançou mão de uma estratégia tão ousada quanto inovadora. Eles criaram o KISS on a Stick: durante a próxima turnê européia, o público poderá adquirir logo após cada espetáculo um pen drive contendo o show recém terminado na íntegra, com arquivos de vídeo ou somente de áudio. Não sei o que impede o camarada de comprar o show, chegar em casa e colocá-lo em um torrent da vida, mas o Gene Simmons deve saber o que está fazendo. E quem não tiver ido ao show também pode adquirir as apresentações online.


Paul Stanley e Eric Singer com Jimmy Page no backstage do show do KISS na Wembley Arena, em 18.05.2010.

Na boa, quem viu um show do Kiss viu todos, pois eles tocam as mesmas músicas exatamente do mesmo jeito há 40 anos. É legal pra caramba, sem dúvida, recomendo fortemente assistí-los ao vivo, mas nunca compraria um show. Se você tem o Alive I, II e III, economize sua grana. Por outro lado, já pensaram se existisse esta tecnologia na época em que Thelonious Monk, Miles Davis, Chet Baker, Jimi Hendrix, Cream, Led Zeppelin e outras feras deste naipe estavam no auge? Seria um verdadeiro sonho.
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