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Grandes pensamentos filosóficos - 5

1. O deputado federal Celso Russomano fez um projeto de lei, já em vigor, obrigando quem quer tirar carteira de motorista a ter aulas de direção à noite. Das 20 horas/aula, 4 deverão ser necessariamente no período noturno. Seu argumento é de que se os motoristas estiverem melhor preparados, o risco de acidentes diminui. Realmente é de uma lógica irrefutável. E seguindo o mesmo raciocínio, acredito que em breve será obrigatório ter aulas de direção em dias de garoa, chuva, toró e tempestade, bem como dirigir em rodovias, estradas de terra, serras e túneis. E fico imaginando a situação de um pai, que será obrigado por lei a entregar sua filha de 18 aninhos nas mãos de um solene desconhecido para "passear" de carro à noite, durante 4 horas, em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Projeto de lei obrigando o Estado a fiscalizar e controlar o trânsito com eficiência, manter as vias e a sinalização em ordem ou investir em transporte público de qualidade, obviamente nenhum deputado faz.

2. Mudamos de uma casa para um apartamento, com bem menos espaço, e tive que me desfazer de um monte de tranqueiras que guardava há décadas por pura nostalgia: brinquedos de quando eu era criança, boletins escolares do primário e do ginásio, caixas de charutos que meu pai me dava (vazias) onde eu guardava objetos "importantíssimos", como canivetes, dados, selos antigos, pedras e conchas, munição para minha espingardinha de chumbo, carteirinhas do CEPEUSP, ingressos de shows, entre outras quinquilharias. A maioria dastas coisas estavam exatamente do mesmo jeito que as deixei há 8 anos, quando me mudei para a casa da qual saímos agora. Ou seja, guardei tudo isso durante todo esse tempo só por "segurança", pois nem sequer mexi em nada desde então. Mas de tudo o que tive que jogar fora ou "passar adiante" o que mais me deu dó foi minha coleção de fitas K7. A molecada que está crescendo baixando músicas e ouvindo no iPod talvez não tenha idéia do trabalho que se tinha e da grana que se gastava para ouvir música nos anos 70, 80 e 90. No meu caso era impossível ter todos os LPs que eu queria, por isso acabava pedindo emprestado de amigos (ou de amigos de amigos) e gravando fitas que, ao menos para mim, eram verdadeiras preciosidades. Às vezes ficava horas a fio sintonizado na 89 FM com uma fita de prontidão e o dedo no REC esperando determinada música ser tocada para poder gravá-la. Quando tirei carta e comecei a "sair na balada" motorizado, escolhia a dedo que fita levaria para ouvir no som do carro, geralmente aquelas gavetonas que ocupavam metade das mesas dos bares. E nessa quarta-feira, joguei no lixo por volta de 300 fitas K7, algumas com "histórias" memoráveis, simplesmente porque já não faz mais o menor sentido guardá-las nos dias de hoje. Todas aquelas músicas já tenho em CD ou posso ouvir online a qualquer momento num Grooveshark da vida. Mas apesar de conseguir transferir em 1 minuto mais de mil músicas para o meu iPod (o que é fantástico, não nego), sinto enorme saudades de todo o ritual que envolvia gravar uma fita K7 e, mais do que isso, o que ela representava.

3. Para quem gosta de coincidências, aí vai um prato cheio. Nasci no dia 13 de maio, data em que foi promulgada a Lei Áurea, responsável pela abolição da escravatura no Brasil. No ano em que nasci meu pai completou 38 anos de idade. Ele, por sua vez, nasceu em 20 de novembro, dia escolhido posteriormente para celebrar a "Consciência Negra", e faleceu exatamente num 13 de maio. Quando ele completou 60 anos, passou o aniversário me acompanhando numa delegacia de trânsito que havia na Rebouças, pois bateram feio no meu carro e passei a madrugada fazendo o maldito B.O. Neste dia 13 de maio que passou, quando completei 38 anos, depois de 7 anos sem me envolver em acidente algum (o último tinha sido quando uma Kombi voadora atravessou o canteiro central da Av. Jabaquara e quase caiu literalmente em cima mim), levei uma batida na traseira. Nada grave, mas confesso que fiquei meio encanado. Se alguém tiver alguma explicação metafísica para isso, agradeço.

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