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O direito de ofender

Muito interessante o modo como o autor britânico Philip Pullman vê a liberdade de expressão. Ele publicou recentemente um livro de ficção chamado The good man Jesus and the scoundrel Christ (O bom homem Jesus e o salafrário Cristo) cujo argumento principal é a idéia de que a imagem de Cristo foi construída pela Igreja e que nada tem a ver com a do ser humano Jesus. Durante a coletiva de imprensa alguém perguntou se ele não achava que o título era ofensivo aos cristãos. Eis a resposta dele.



Concordo em parte com o autor. Se por um lado a liberdade de expressão deve ser valorizada e todos seres humanos imputáveis têm o livre arbítrio para escolher o que ler, o que comprar, ou que canal assisitr, por outro lado entendo que há limites a serem observados.

Pullman poderia ter escrito o mesmo livro e escolher outro título menos ofensivo, mas não o fez justamente para polemizar, ganhar a atenção da mídia e, em última análise, vender. Não me parece uma coisa bacana correr o risco de ofender centenas de milhões de pessoas em troca de dinheiro. Aliás, a resposta que ele deu tem toda a pinta de ter sido ensaiada exaustivamente sugerindo até que a pergunta tenha sido encomendada.

Mas se para expor suas idéias fosse inevitável correr este risco, daí entendo que o direito à liberdade de expressão justificaria qualquer eventual ofensa.

Enfim, acho que ele passou dos limites, apesar de ser ateu e me sentir mal só de passar em frente a uma Igreja. Mas o assunto dá muito pano pra manga...

Via Sedentário & Hiperativo (favoritos).

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