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Quer pagar quanto? 23 milhões ou zero?

Vivemos tempos estranhos ou, no mínimo, bem malucos. O auto-retrato feito pelo pintor Anthony van Dyck (1599/1641) um mês antes de sua morte foi arrematado em leilão na Sotheby's de Londres por £ 8,3 milhões, o equivalente a R$ 23.700.000,00. (Mini-parenteses cultural: Van Dyck foi um dos maiores retratistas de seu tempo e, embora tenha nascido na Antuérpia, viveu muito anos em Londres, onde caiu nas graças do rei Carlos I, o monarca ultra-absolutista que perdeu a cabeça.)

Ao mesmo tempo em que bilionários pagam montanhas de dinheiro por uma obra como esta, qualquer pessoa no mundo com a cesso à internet pode vê-las em alta resolução quantas vezes quiser, salvá-las em seu HD, mandá-las por e-mail, postá-las num blog, imprimí-las e fazer um quadro para por na parede da sala, levás-la consigo mundo afora num iPod, celular ou outra geringonça cibernética qualquer. E tudo isso sem desembolsar 1 centavo sequer. Obviamente que é muito diferente de ter o original em seu poder e que os direitos autorais que os herdeiros de Van Dyck um dia tiveram (se é que tiveram) já viraram poeira há séculos, literalmente, mas a discrepância entre dezenas de milhões e zero é "encafifante".


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