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Gênesis, Paulo Francis, Frank Zappa e o Kama Sutra

Fiquei devendo minhas impressões sobre o Gênesis, o primeiro livro do pentatêuco, que só li graças ao árduo e incrível trabalho de Robert Crumb. Até pouco tempo atrás, se alguém me perguntasse o que eu achava do Gênesis provavelmente responderia que preferia mil vezes mais quando o Peter Gabriel ainda estava no vocal (aliás, Nursery Cryme é maravilhoso!). Advertido logo em seguida pelo meu interlocutor de que a pergunta se referia ao texto bíblico, seguramente copiaria a resposta que só Paulo Francis tinha alvará para dar, mas que às vezes pego emprestado na cara dura: "Não li e não gostei."

Mas o fato é que agora eu li e realmente posso dar a minha opinião a respeito. Minha e da torcida do Flamengo, é bom dizer. Confesso que, apesar de não ser nada puritano, fiquei um tanto impressionado. É muita sacanagem junta! Só para se ter uma idéia, no Gênesis há prostituição, incesto, masturbação, insinuação de coito anal entre homens (viadagem, para simplificar), bigamia, poligamia, traição entre irmãos, traição entre mãe e filho, assassinatos, marido oferecendo a esposa para outros homens, mulher oferecendo o marido para outras mulheres... enfim, um filme pornô talvez seja mais light. Isso sem falar no Deus vingativo, temperamental, negociante e extremamente parcial, bem diferente do "vendido" em prosa e verso atualmente.

Concluindo, o Gênesis não edifica o caráter ou a moral de ninguém, pelo contrário, mas é bem divertido. Recomendo a leitura, de preferência via Crumb. O curioso é que se alguém chegar em qualquer ambiente "respeitável" com o exemplar do Kama Sutra debaixo do braço certamente será imediatamente fulminado por olhares de reprovação. Por outro lado, se a mesma pessoa carregasse um exemplar da Bíblia traria consigo a presunção de bom samaritano, ainda que fosse um crápula. Agora, como bem lembrou um dia Frank Zappa, quantas pessoas foram mortas em nome da Bíblia? E em nome do Kama Sutra?

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