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O bélico professor "Belluzi"

Quando o nome de Luis Gonzaga Belluzzo foi aventado no final do ano passado para dirigir o Palmeiras até eu, que sou corinthiano com H, fiquei entusiasmado. Poxa, o camarada é um economista de prestígio internacional, com 3 cursos superiores, pós-graduação, mestrado e doutorado, além de quase 40 anos de experiência lidando com assuntos bem mais elevados do que futebol. Um perfil completamente diferente do que estamos acostumados a ver à frente dos clubes aqui no Brasil (vide Mustafá Contursi, Dualib, Eurico Miranda e congêneres).

A expectativa dos benefícios que uma pessoa do porte de Belluzzo poderia trazer ao Palestra e, a médio e longo prazo, ao futebol brasileiro como um todo, era enorme. Para se ter uma idéia do que se esperava dele, basta ler o que Juca Kfouri disse a respeito do Professor Belluzzo às vésperas da eleição alviverde na Folha, texto disponível em seu blog sob o irônico título "Belluzzo não!" (22/01/2009). Mas foram necessários apenas uns pares de meses no comando do Verdão para a imagem de uma pessoa equilibrada, ponderada, educada e inteligente cair por terra.


Primeiro, logo após ver o seu time prejudicado pelo árbitro Carlos Eugênio Simon, chamou-o publicamente de safado, ladrão e declarou que se o encontrasse lhe daria uns tapas. Depois, de cabeça fria, repetiu tudo numa coletiva de imprensa, sem apresentar prova alguma de que o juiz tenha roubado deliberadamente o Palmeiras. Como resultado, está sendo processado pelo Simon e foi afastado do futebol pelo STJD por 9 meses, indiciado em uma penca de artigos do Código de Justiça Desportiva.

E hoje surgiu na internet o vídeo abaixo, gravado em uma festa realizada na quadra da Mancha Verde, torcida organizada, a exemplo de tantas outras, expert em brigas generalizadas, ataques covardes a torcedores comuns, depredação de patrimônio público e privado, sem falar nos diversos incidentes por ela protagonizados que resultaram em mortes. O que interessa está logo nos 10 primeiros segundos.



Se alguém não entendeu, o que o ilustre professor (agora já com "p" minúsculo mesmo) berra no microfone para centenas de torcedores uniformizados é "Vamu matá os bambi! Vamu matá os bambi! Vamu matá os bambi!", em óbvia referência ao São Paulo Futebol Clube e sua torcida.

Ao assistir ao vídeo dá a impressão de que se o dirigente palmeirense tivesse em mãos uma metralhadora (talvez uma Uzi?), passaria fogo sem dó em seus adversários inimigos. Sim, inimigos, pois adversário se respeita e, por que não dizer, se admira. Tem alguma graça ganhar do União da Lapa?! É claro que não. Corinthianos querem ganhar do Palmeiras. São-paulinos querem ganhar do Corinthians. Palmeirenses querem ganhar do São Paulo. E vice-versa! Porque no fundo, reconhecem, um no outro, tradições, grandezas e qualidades. Ou pelo menos, para pessoas normais, deveria ser assim.

Caro prof. Belluzi, ironicamente, o Juca Kfouri estava coberto de razão ao escrever uma verdadeira ode à sua pessoa intitulada "Belluzzo não!". Mas somente no título do texto. Porque no futebol, o que menos estamos precisando é de violência, intolerância, despreparo, ofensas e ameaças. Disso tudo, infelizmente, já temos bastante. Portanto, nem espere acabar de cumprir a sua pena de 9 meses de afastamento: pegue já o seu boné e tome o rumo de volta o quanto antes! O futebol agradece.

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